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terça, 24 março 2020 12:27

Mensagem Pascal

Escrito por

 

 

 

 

Guimarães, 24 de março de 2020

 

 

Caros(as) paroquianos(as).

Os meus cumprimentos,

Votos de paz e amor em Nosso Senhor Jesus Cristo. Como é costume, envio-vos uma carta a todos vós, moradores na área das paróquias de São Paio e São Sebastião, crentes ou não crentes, mas, certamente, filhos amados de Deus porque a Igreja é mãe e deve estar “em saída”. A sair ao encontro de todo o homem e mulher de boa vontade. Uma Igreja com as portas abertas. Sair em direção aos outros para chegar às periferias humanas. Saiamos para oferecer a todos a vida de Jesus Cristo! O Papa diz na exortação apostólica, a Alegria do Evangelho: “prefiro uma igreja acidentada, ferida e enlameada por ter saído pelas estradas, a uma igreja enferma pelo fechamento e a comodidade de se agarrar às próprias seguranças. Se alguma coisa nos deve santamente inquietar e preocupar a nossa consciência é que haja tantos irmãos nossos que vivem sem a força, a luz e a consolação da amizade com Jesus Cristo, sem uma comunidade de fé que os acolha, sem um horizonte de sentido e de vida”.

É este o objetivo destas simples palavras. Serem uma palavra de ânimo e de presença para todos vós. E muito mais nas condições em que estamos a viver esta Quaresma de 2020 que está a ser marcada excecionalmente pela pandemia do novo coronavírus (COVID-19).

Talvez a experiência deste mal comum nos revele a importância do bem comum, hoje tão esquecido e escarnecido. Desta emergência pode, de facto, extrair-se uma bela lição de solidariedade: “A tua vida é também a minha vida, e eu próprio, com as minhas forças, colaboro na construção do bem comum”.

Por nada deste mundo, esta Quaresma deve ser cancelada. Não há férias, nem suspensão da graça e do dever da nossa relação fiel com Deus e com os outros. Pelo contrário, a Quaresma dos cristãos é claramente reforçada na sua necessidade e oportunidade, pelas medidas e condicionamentos desta imperativa “quarentena sanitária geral”. Creio que podemos acolher estes tempos de insegurança e precariedade, diante do “inimigo” que nos ameaça, como as verdadeiras cinzas, que impomos sobre a nossa vida, para assumirmos finalmente os nossos limites, atravessarmos os desertos do silêncio e da sobriedade, e assim nos encontrarmos e caminharmos juntos em direção à luz fulgurante da Páscoa.

E, servindo-me de um texto de um colega sacerdote, Padre Gonçalo, da Senhora da Hora, Matosinhos, a quem a gradeço,  deixo algumas sugestões para esta Quaresma para aproveitar.

Exercitemos a virtude pessoal da humildade, reconhecendo que não sou omnipotente nem superior às forças da natureza, vencendo a presunção de que não sou mais imune e mais civilizado do que todos os outros. A minha existência não depende apenas de mim; não sou eu o dono da vida. Basta um vírus para a colocar em risco.

Cultivemos a humildade científica e tecnológica, perante os seus grandes progressos, que são dons a cultivar e a agradecer, mas não são deuses a adorar. A saúde e o bom funcionamento, hoje, das células do meu corpo são um dom a redescobrir; nada é dado como adquirido ou devido. O que nos salva, pois, não é o poder económico, ou o progresso da ciência ou as maravilhas da técnica, mas sim o amor de uns pelos outros.

Ponhamos em prática uma fraternidade solidária, como antivírus contra a superficialidade, a indiferença, a autossuficiência e o narcisismo, que tantas vezes me fazem pôr a mim próprio no centro de tudo. E, por isso mesmo, esquecendo que tudo é dom. Isto implica redescobrir os outros como irmãos, conscientes de que todos dependemos de todos. Afinal ninguém se basta a si próprio e, nesta barca, do mundo globalizado em que vivemos, ninguém se salva sozinho. Todos somos responsáveis pelo bem de todos.

Valorizemos a família e a nossa casa como lugares mais seguros. O facto de se passar mais tempo ‘em casa’, neste “recolher obrigatório” não é necessariamente uma penitência e pode ser uma bênção. Aprofundemos a qualidade do diálogo e da presença em família. Mantenhamo-nos em contacto com os ausentes, os emigrantes, os distantes, os doentes, os idosos, em nossa casa, nos hospitais e lares. São estes que mais sofrem as medidas de contenção da propagação do vírus.

Redescubramos a importância dos afetos, com aqueles que nos são mais próximos, com os que partilham a mesma casa, o mesmo meio de transporte, o mesmo espaço de trabalho. A solidão forçada ensina-nos o valor e o preço das relações humanas. A imposta distância superior a 1 metro revela-nos a beleza e a nostalgia das distâncias breves.

Eduquemo-nos para uma certa abstinência dos afetos, corrigindo os excessos e a banalização de alguns gestos, como os beijos e abraços. Isto pode ajudar-nos a valorizar a importância de uma gestualidade comunicativa autêntica, de uma comunicação não verbal, que também vive e convive a partir do silêncio, da discrição e até de um simples olhar atento.

Optemos por um estilo de vida mais sóbrio, menos focado no consumo, mais centrado no essencial. Nem só de pão vive o Homem e muito menos vive da moda, dos corantes e conservantes e de produtos açucarados ou manipulados.

Libertemo-nos do desejo alienante de uma vida vivida em regime de diversão contínua. É uma boa oportunidade para corrigir um certo estilo de vida pagã, que se contenta com “pão” na mesa e “circo” na praça.

Redescubramos a beleza e a riqueza da leitura, também da Bíblia ou da meditação diária do Evangelho, para desenvolver a abertura do coração a Deus e o encontro pessoal com Cristo.

Aprendamos a fazer do nosso “quarto” lugar e aposento de oração, aproveitando esta oportunidade para rezarmos um pouco mais e a sós, para meditarmos, para exercitarmos a oração do coração, para além da recitação das orações feitas de cor e rezadas nas nossas Igrejas. Este é o momento de cada um reentrar em si, de voltar à interioridade, ao seu coração, que se abre diante do mistério da vida e do mistério de Deus. Ao lavar as mãos, por exemplo, rezemos o Pai-Nosso, purifiquemos o nosso coração, dizendo estas ou palavras semelhantes: “Lavai-me, Senhor, de toda a iniquidade e purificai-me de todo o pecado” (Sl 50,2).

Façamos da nossa casa uma "casa de oração" e da nossa família uma verdadeira "Igreja doméstica”. Se não pudermos participar na Eucaristia, para nos protegermos a nós e aos outros do contágio do Maligno, podemos viver este “jejum” para despertar em nós a nossa fome do Pão da Vida. Se não podemos adorar no Templo, aproveitemos para o fazer, a partir do mais íntimo de nós mesmos, “em espírito e em verdade” (Jo 4,23). Não deixemos passar o nosso domingo “vazio de Deus”. Abençoemos a mesa, com uma breve oração. Se pudermos, ao domingo, rezemos um pouco mais em família. E por que não sentarmo-nos todos, em família, para acompanhar a transmissão da Missa pela TV ou pelas redes sociais?
Vivamos mais a graça do tempo presente, sem querer controlar absolutamente tudo; façamos tudo como se tudo dependesse de nós e confiemos tudo às mãos de Deus, como se tudo dependesse d’Ele.

Tenho muito claro para mim: quem não aproveitar esta inesperada Quaresma de 2020 certamente não aproveitará Quaresma nenhuma da sua vida. Porque esta é mesmo Quaresma. É uma Quaresma para todos, crentes e não crentes.

Finalmente, proponho-vos a recitação diária desta prece, sugerida pelo Papa Francisco a Nossa Senhora. Não nos cansemos de rezar.

 

Ó Maria,

Tu resplandeces sempre no nosso caminho
como sinal de salvação e de esperança.

Confiamo-nos a Ti, Saúde dos Enfermos,
que junto da Cruz foste associada à dor de Jesus,
mantendo firme a tua fé.

Tu, Salvação do Povo de Deus,
sabes bem do que mais precisamos
e estamos seguros de que proverás
para que, tal como em Caná da Galileia,
possa voltar a alegria e a festa
depois deste momento de provação.

Ajuda-nos, Mãe do Divino Amor,
a conformar-nos com a vontade do Pai
e a fazer aquilo que Jesus nos disser,
Ele que tomou sobre Si os nossos sofrimentos
e carregou as nossas dores,
para nos conduzir, por meio da Cruz,
à glória da Ressurreição. Ámen

À vossa proteção nos acolhemos,
Santa Mãe de Deus.
Não desprezeis as nossas súplicas,
nós que estamos na provação,
e livrai-nos de todos os perigos,
ó Virgem gloriosa e bendita!

 

E um obrigado pela vossa paciência em aceitardes esta proposta.

Deixo o último ponto da nossa conversa que já vai longa e diz respeito à economia da Unidade Pastoral.

Em janeiro de 2019 adquirimos um órgão de tubos para a igreja paroquial de São Sebastião. Estamos a fazer obras no museu paroquial para que seja aberto a quem nos visita, comprámos uma nova aparelhagem de som para a igreja paroquial, colocamos um sistema de alarme. Estamos a colocar na Igreja novos plasmas porque os que tínhamos chegaram ao fim da sua vida. Tudo isto envolveu um investimento na ordem dos 100.000€.

Em São Paio adquirimos o sistema de aquecimento que nos meses de inverno tornam o ambiente mais acolhedor e mais confortável. Ainda não está tudo pago e o aquecimento dispara o consumo nos meses de inverno. A casa paroquial vai ter uma intervenção para a por habitável porque depois do incêndio acontecido há perto de 2 anos ficou num estado nada digno. Tudo isto importa no valor de 70.000€ fora o consumo de energia que nos meses de inverno, como disse, dispara para números nada confortáveis. Não podemos esquecer as despesas da luz, água, telefone, seguros, impostos que suportamos, como todas as instituições. Precisamos de renovar as salas de catequese para que as crianças tenham melhores condições. Como aguentar todo este ritmo de investimentos e renovações? Precisamos que, e volto ao que já disse o ano passado por esta altura, haja mais pessoas a partilhar. Não é necessário que se dê muito mas que muitos dêem um pouco do que é seu. E este apelo é feito não só aos paroquianos da Unidade Pastoral mas a todos(as) que frequentam as nossas igrejas que também são vossas e que sintam como seus estes projetos.

Vamos deixar uns envelopes nas igrejas que todos vós podeis levar para preencher e das dádivas passamos recibos para efeitos de IRS. Entregar nas igrejas paroquiais, por favor. Deixamos também o IBAN das Fábricas da Igreja.

 

IBAN Fábrica da Igreja paroquial de São Sebastião PT50 0018 000803458857020 33

IBAN Fábrica da Igreja paroquial de São Paio PT50 0035 0363 00110772930 25

Um abraço amigo e votos de uma santa Quaresma na expectativa de uma Páscoa Feliz.

 

Do amigo,

Pe. Antunes

 

Santa Páscoa,

 O Pároco da Unidade Pastoral de São Sebastião e São Paio,

 

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