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domingo, 21 julho 2013 11:30

Abrir a Porta

Escrito por Mons. José Maria

A Palavra que hoje nos é proclamada pode ser vista como resposta pronta e generosa à advertência que o Senhor fez ao anjo (bispo) da Igreja de Laodiceia (Ap 3,14-20). Chamando-lhe a atenção para a sua tibieza – porque és morno – e não és frio nem quente vou vomitar-te da minha boca, o Senhor apela ao zelo e á conversão e garante: "olha que Eu estou à porta e bato: se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, Eu estrarei na sua casa e cearei com ele e ele comigo" (v 20)

Na 1ª leitura em que se inicia o relato da destruição de Sodoma e Gomorra contemplamos uma misteriosa teofania – Deus aparecendo em forma humana acompanhado de dois homens (anjos) e aceder á prodigalidade espontânea de Abraão. Verdadeiramente Abraão demonstrou que sabia e soube que "quando o Senhor passar eu quero estar no meu lugar" (canção do gosto dos cursilhistas). A retribuição de Deus foi a promessa de que Sara, esposa de Abraão, estéril e velhinha, lhe ia dar um filho.
Na leitura do evangelho, perante a demonstração exemplar de hospitalidade por parte da família de Betânia, Jesus apela para aquilo que é incomparavelmente importante na vida: escutar e pôr em prática a Palavra de Deus. As preocupações, trabalhos e canseiras da vida não poderão sobrepor-se ao essencial que é amar e reconhecer que o Senhor nos ama, dar forma à relação de filhos para com Deus que é nosso Pai. Sem os cuidados de Marta não seria condigno o acolhimento a Jesus; mas também é verdade que, sem a atitude contemplativa de Maria, ficaria reduzido o espaço para Jesus revelar o Seu amor. Se se quiser considerar que ação e contemplação são atitudes complementares, não poderemos, no entanto, esquecer: é a contemplação que dá forma e carateriza a relação com Deus: "Maria escolheu a melhor parte, que não lhe será tirada".
São Paulo, o grande amigo de Jesus, apresenta-se-nos, na passagem da carta aos Colossenses, como o melhor arquiteto deste projeto de vida: reconhecer que a melhor parte de que fala Jesus é mesmo uma vocação a desenvolver. "Completo em mim o que falta à paixão de Cristo" (2ª leitura) é, mais que um programa de vida, a necessidade que cada cristão, membro do Corpo Místico de Cristo, tem de sentir que, como tal, muito especialmente através da aceitação generosa do sofrimento, está associado, prolonga, a Paixão de Cristo. Assumindo esta revelação do apóstolo, submeter a ela todos os planos de vida é garantia segura de que caminhamos com Jesus e que, após esta peregrinação humanamente tão complicada, O contemplaremos na glória.

 

28.07.1913 - 2013
Parabéns D. Miquinhas
Mons. José Maria

À primeira vista parecerá desenquadrado do caráter deste boletim evocar alguém que celebra o seu dia de aniversário, de Ação de Graças, de parabéns, como é usual dizer-se, mesmo que se trate de comemoração centenária do nascimento. Porém, tratando-se de alguém que fez a Deus a oferta da sua vida em serviço humilde e discreto à Igreja, então, é verdadeiramente evangélico evocar uma efeméride assim, como preito de louvor e testemunho de gratidão: "para que os homens vejam as vossas boas obras e glorifiquem o vosso Pai que está nos céus" (Mt 5,16).
Associamo-nos, pois, à comemoração dos 100 anos de vida da D. Maria de Oliveira (Miquinhas pata todos que a conhecem) irmã do bem - querido padre Manuel Oliveira, natural de São Paio de Vizela e residente em Mascotelos deste concelho. Sete anos e meio mais velha que o irmão, imaginamos a Miquinhas a rejubilar de alegria pelo nascimento deste e a ajudar a mãe a criar mais este menino, como era tradicional nas famílias numerosas, em que a relação entre irmãos estabelecia uma autêntica hierarquia. Desgostar ou desobedecer aos irmãos mais velhos constituía mesmo problema de consciência; era como que uma injustiça e ingratidão para quem dedicava tanto amor e carinho. Não é de admirar também que, durante as fases de crescimento até ao dia da ordenação do padre Manuel (15.08.1947), ela se imaginasse em preparação para o compromisso solidário de dedicar a sua vida a Deus e à Igreja, valorizando assim o caráter sacerdotal do seu batismo. Ela haveria de sentir o que significa dei-

xar tudo, projetos de realização pessoal mormente de constituição duma família, para experimentar, de alguma maneira, as exigências do sacerdócio ministerial. A partir de 1956, com a nomeação do padre Manuel para pároco de S. Vicente de Mascotelos e S. Tiago de Candoso (até então fora vigário cooperador de Nossa senhora da Oliveira e capelão do Asilo de Santa Estefânia), a D. Miquinhas enfrentou a vida com o espírito de missão com o único interesse de que o irmão sacerdote tivesse as melhores condições para o seu desempenho de pastor.
Daí por diante as alegrias e sucessos, incompreensões e tristezas do padre seriam partilhadas, talvez ainda como mais amargor, como Maria a Mãe de Jesus. Não será difícil conceber que algumas vezes o silêncio tivesse amargurado o seu coração como quem se julgava impotente para desfazer barreiras de injustiças e ingratidões. Desde há cerca de um ano que o senhor arcebispo primaz reconheceu que era injusto continuar a exigir do padre Manuel serviço efetivo de pároco; todavia, agora na condição de emérito, nada diminuiu a sua vontade de servir a Igreja, contando à mesma com a dedicação da querida irmã.
Gostaríamos que esta despretensiosa homenagem fosse estendida a tantas outras familiares de sacerdotes au até simples auxiliares que souberam encarar a ajuda aos sacerdotes como serviço à Igreja.
No próximo dia 28, às 11 horas, é celebrada a Eucaristia de louvor e agradecimento. Que o Senhor aceite o perfume da oração e cumule de bênçãos a D. Miquinhas.

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