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domingo, 14 julho 2013 11:30

Amar

Escrito por Pe Queirós

A palavra "próximo" deriva diretamente da palavra latina "proximus", e refere-se ao imediato, ao que está mais perto. Neste sentido, o mandamento do amor ao próximo referir-se-ia às pessoas que estão perto de nós, quer geográfica, quer socialmente. Jesus, no entanto, rompe as barreiras étnicas e geográficas e manda-nos amar todas as pessoas... até os inimigos!
A resposta do Doutor da Lei, na famosa parábola do "Bom Samaritano", define muito bem o que Jesus entendia pela palavra "próximo": o que praticou a misericórdia com ele. Para Jesus amar o próximo é ser misericordioso, seja com quem for... ser próximo... aproximar-se... não passar ao largo... indiferente, como bem lembra o nosso Papa... «não nos deixemos enredar na globalização da indiferença, aprendamos de novo a chorar com os que sofrem e a condoermo-nos com os sem esperança».
Convém, no entanto, ter presente sempre a grande catequese que nos vêm da primeira leitura: não adianta apenas conhecer os mandamentos... é necessário cumpri-los!
O Mandamento está muito perto de nós: no nosso coração, na nossa boca. Cumpramo-lo!
Os preceitos que nos manda o Senhor, como nos lembra o livro do Deuteronómio, são preceitos que podemos conhecer e que podemos cumprir ou... não. Então, basta que saibamos escutar o nosso coração, é lá que Deus se faz eco, se faz "carne" para nós, ouçamos o nosso coração e tenhamos a coragem de ser consequentes com o que ele nos inspira. Para isso é necessário ter sempre uma vontade forte de deixar que seja Cristo a viver em nós, deixá-lo ser a nossa voz, as nossas mãos...
Aquele que é "bom" de verdade procura sempre, acima de tudo, fazer o bem a todas as pessoas, semear a paz, o amor, a justiça e a verdade. Para isto não é necessário estudar muito ou colecionar muitos títulos; basta escutar o nosso coração, escutar Deus na nossa alma.
Por vezes custa-nos um bocadinho, ou um pedacinho, a compreender o que fazer para sermos verdadeiros cristãos, outros Cristos... importa, antes demais descobrir este Cristo e entender o que precisamos fazer... Ele que passou pelo mundo fazendo o bem... FAZENDO o BEM!!
Que nos falta para percebermos?! Não é nada do outro mundo... simplesmente: FAZER o BEM!! Onde quer que esteja, com quem quer que me encontre. Não basta compreender o alcance da Palavra de Deus: é preciso pôr em prática, "fazer o mesmo".
Agradar a Deus, ser filho predileto é isso, tornarmo-nos cada vez mais parecidos com este Filho, que se fez próximo, para que conhecêssemos melhor o Pai e entendêssemos o projeto de amor que Ele sonhou para todos e cada um. São Paulo falava ao povo de Colosso... mas acima de tudo fala-nos hoje a nós! Quem tem ouvidos oiça... quem ainda tem "coração" AME!! É este o Tempo, é este o espaço... são estas as PESSOAS!
Tudo se resume ao AMOR... tudo acabará...

 

O Plano de Deus
nos meus planos...

Eu sou dono e senhor de meu destino;
Eu sou o comandante de minha alma.
William Ernest Henley

É frequente o "mundo", através dos meios de comunicação, de opiniões generalizadas ou até de comentários bem-intencionados, apresentar-nos a religião como uma série de práticas externas que muito raramente transforma de facto a vida interior e a maneira de ser concreta dos seus seguidores. Não raras vezes o próprio Deus é concebido como um ser dominador e arbitrário.
Dentro desta perspetiva distorcida, o Plano de Deus, a missão a que cada um de nós é chamado a participar para a construção do Reino, é apresentado assim como que um projeto subjetivo e egoísta que esta divindade tem para nós e que nos impõe como uma meta de vida que, a não ser alcançada, merecerá um castigo ou pelo menos uma reprimenda. Esta visão mundana prevalece muitas vezes em nós mesmos e apresenta-nos Deus como um rival e como um ser distante e indiferente. Pela mesma razão o Seu Plano apresenta-se-nos como algo oposto a nossa própria felicidade ou simplesmente como uma realidade que se torna indiferente por não parecer ter muito a ver connosco.
O principal sinal de que o Plano de Deus é fruto do amor que o Criador tem por cada pessoa é a liberdade. O nosso Deus não impõe o Seu Plano: revela-o a cada um por todos os meios possíveis, mas deixa-nos em liberdade para poder escolher entre obedecer aos seus dinamismos interiores, aceitando o projeto de vida que Deus lhe propõe; ou recusá-lo, escravizando-se assim às pressões desumanizantes do poder, do ter, e do autossatisfação. A pessoa em concreto, cada um de nós, pode escolher livremente. Deus respeita

essa decisão; mas a decisão tomada livremente te não carece de consequências: «ponho diante de vós a vida e a morte, a bênção e a maldição. Escolhe a vida para viveres, tu e a tua descendência, amando o Senhor, teu Deus, escutando a sua voz e apegando-te a Ele, porque Ele é a tua vida e prolongará os teus dias para habitares na terra, que o Senhor jurou que havia de dar a teus pais, Abraão, Isaac e Jacob.» (Dt 30, 19-20). Mas... consequências que nos vêm das nossas próprias escolhas.
O Plano de Deus assume-se assim como o caminho seguro de vida. No entanto, pela dramática experiência de pecado, sabemos que quando fazemos um mau uso da nossa liberdade podemos escolher a perdição e a morte. O que está em causa não é só um momento, mas sim o nosso projeto de felicidade terrena e toda a eternidade. Como fazer para não errar, para não optar de forma que atentemos contra a nossa própria vida?
Penso que aqui é onde surge a docilidade como meio fundamental para optar bem. Ela deve consistir na atitude interior que nos permite aderir, junto com o assentimento da nossa razão, dos nossos sentimentos e da nossa vontade áquilo que a fé nos vai revelando como certo.
A docilidade, portanto, não é o contrário da liberdade, mas a rebeldia sem sentido que surge de não ver Deus como um tirano que põe em risco a nossa liberdade. Esta virtude, prepara a pessoa para que possa encaminhar livremente as suas potencialidades para cooperar com a Graça que o Senhor derrama em seu coração. Só desta forma consigo entender ser possível ser como leve pena ao sopro do Amor de Deus num mundo que me obriga a ser dono e senhor de meu destino; a ser o comandante de minha alma.

 

 

 

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