domingo, 30 junho 2013 11:30

Seguir-te-ei!...

Escrito por Pe Carlos Sousa

Desconcertante... a Palavra proclamada neste XIII Domingo do Tempo Comum. Não basta a disponibilidade para seguir Jesus. É urgente e premente esse seguimento. É rutura radical com o passado. É o JÁ de Jesus (DEUS) em contraposição ao nosso (seus discípulos) AINDA NÃO... "deixa-me primeiro... depois!"... Tarde de mais, porque o Reino de Deus não suporta adiamentos, nem é essa a pedagogia de Jesus. "Deixa que os mortos... Quem tiver lançado as mãos ao arado e olhar para trás...". O tempo de Jesus é hoje e a hora é agora, sem demora. Sem escusas nem recusas.
Recordemos as palavras do Padre António Vieira: "A Fé, ou se apega ou se apaga", bem a propósito deste Ano da Fé que celebramos. E a nossa Fé não é a adesão (mais ou menos fiel) a um conjunto de verdades, tradições ou costumes... A nossa Fé é adesão a uma Pessoa: Jesus Cristo, ressuscitado e vivo, caminhando connosco hoje e sempre, até ao fim dos tempos.
Por isso, se a Fé se apega, impele-nos para a frente, na confiança plena de que "só Deus Basta" (Santa Teresa)... e Jesus é a presença sensível de Deus em nós e, por nós, no mundo.
Se a Fe se apaga, deixa-nos agarrados ao passado, aos nossos haveres e afazeres, em lutas mais ou menos visíveis de poder, de ter, de prazer... é a ilusão do poder de Tiago e João, os filhos de Zebedeu, que propõem a Jesus dizimar uma povoação samaritana só porque recusa acolher Jesus. Os dois discípulos, que ainda não entenderam o caminho manso e humilde de Jesus, como o do Servo do Senhor, são duramente repreendidos (Lucas 9,55) com o mesmo verbo com que Jesus estigmatiza os espíritos impuros (cf. Lucas 4,35) (Cfr. A. Couto).
Forte a advertência de Paulo a nós, hoje, dirigida, em sintonia com a repreensão de Jesus a Tiago e João: "Se vós, porém, vos mordeis e devorais mutuamente, tende cuidado, que acabareis por destruir-vos uns aos outros", paráfrase dessa outra palavra de Jesus: "todo o reino dividido contra si mesmo será destruído". O remédio, aponta-o São Paulo logo de seguida: "Deixai-vos conduzir pelo Espírito".
Também o salmo, este domingo recitado ou cantado, é expressão da paz que alcança aquele que se confia plenamente ao Senhor. Todas as heranças terrenas se desvanecem mas, se confias em Jesus...

Nada te perturbe,
Nada te espante,
Tudo passa,
Deus não muda,
A paciência tudo alcança;
Quem a Deus tem
Nada lhe falta:
Só Deus basta.

Santa Teresa de Ávila

O PODER COMO SERVIÇO

Pe Carlos Sousa

Abre-se o tempo da corrida ao poder... dos jogos do poder... das trocas de cadeiras de poder ou daqueles que as ocupam... do poder terreno, temporal, se fala! Efémero...
Das ameias do castelo (lá do alto!) muito se vê, se ouve e se lê... mas pouco se crê, porque muito continua oculto para mal do bem comum, fim último do governo das nações!... Urge apareçam mulheres e homens com sentido de serviço aos cidadãos... urge que cristãos se empenhem seriamente na vida política pois, se bem que a Igreja não faça política, devem os valores cristãos estar patentes nas decisões políticas que afetam, também, os cristãos...
Também na Igreja é tempo de alternâncias... mandatos que terminam, funções que se completam e serviços que se assumem... é um ano pastoral que termina e um novo que se vai projetando... avaliação e projeção... revisão para correção e/ou aperfeiçoamento/crescimento. Também aqui, tantas vezes, a tentação do poder... passageiro e efémero. Urge a consciencialização que, para os seguidores de Cristo (cristãos), o poder é serviço.
Inspiram-me esta reflexão, palavras e atitudes do Papa Francisco, pastor que o Espírito concedeu à Igreja. Já muito foi dito acerca das atitudes de humildade e serviço do Santo Padre. Toca a todos a sua simplicidade e espontaneidade, o seu carinho e a sua bondade.

Também muito se disse já acerca das esperanças que movem muitos dos que não se movem nas águas tranquilas da Palavra de Deus, da tradição da Igreja, dos valores fundantes da cultura europeia (judeo-cristãos).
A Jesus, ouvimo-l'O proclamar: "Não penseis que vim revogar a Lei e os profetas; não vim revogar, mas completar". Do Papa Francisco não pensemos que veio revogar o que nos legaram os papas anteriores, nomeadamente o Bem-aventurado João Paulo II e Bento XVI, na senda do bom João XXIII ou Paulo VI (os Papas do Concílio Vaticano II, "primavera da Igreja").
Do Papa Francisco esperemos a fidelidade à missão confiada por Jesus a Pedro: "Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei minha igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela" (Cfr. Mt 16). Igreja que, porque constituída por homens, é pecadora, mas santa pela presença de Jesus que a conduz através das tempestades do mundo. Una, em Cristo cabeça, na multidivesidade dos dons e carismas concedidos pelo Espírito. Católica porque aberta a quantos procuram a verdade, embora muitos dos seus membros se queiram fechar nas suas "capelinhas". Apostólica porque todos os batizados são enviados a testemunhar a sua Fé em Cristo. E continua viva a Palavra de Jesus: "Entrai pela porta estreita,
porque larga é a porta e espaçoso o caminho que leva à perdição" (Mt. 7, 13).