domingo, 07 julho 2013 11:30

Alegra-te Jerusalém Jerusalém...

Escrito por Pe Armando

A modos de quem parte em missão para longe da sua terra natal, sentimos a nostalgia de quem carrega os fardos da abundante colheita que ali se produziu. Separar é retrair as lágrimas da saudade, esvaindo-as num chão que não nos pertence. Deste modo a Jerusalém distante é como uma mãe que novamente acolhe os seus filhos, depois de os ter visto partir, alegres agora, com a abundância do trigo ceifado em terra alheia. O mundo é uma criação magnífica da omnipotência divina sendo, pela contemplação motivo de viver em santa alegria, o que nos leva a cantar saudosamente as maravilhas e a generosidade de um Deus perto das nossas saudades e tristezas interiores; é, neste sentido que o grande apóstolo Paulo já anunciava a máxima mais importante da sua vida: "longe de mim gloriar-me a não ser na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo, pois por ela o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo". São palavras enternecedoras e estimulantes para quem se sente em peregrinação constante neste vale de lágrimas; nada nos pertence, não somos proprietários de coisa nenhuma e, por isso, temos que revigorar em cada um de nós, cristãos, o tal homem novo criado em conformidade com Deus na justiça e na santidade verdadeiras. O apóstolo dos gentios viveu esse desígnio maravilhoso de perscrutar a presença do Senhor no seu apostolado e na sua pregação, sendo o evangelizador escolhido para que, apesar das marcas que Jesus lhe imprimiu, alegremente, julgava-se merecedor das cicatrizes e estigmas da Paixão de Cristo, vendo neles o melhor meio de anunciar em carne viva o Evangelho de Jesus.
Também nós somos enviados para testemunhar a alegria da Nova Jerusalém numa aventura de que, a maior parte das vezes, bate ali à porta a incompreensão dos homens e o egoísmo de quem nos rejeita; contudo, não é a amizade nem o afecto dos outros que nos move a desanimar a meio da caminhada, porque com a atitude de São Paulo, perguntamo-nos: "Mestre que hei—de fazer para possuir a vida eterna?" Uma voz interior nos vai segredando o respeito pela liberdade das pessoas que acolhem a mensagem divina e o ensinamento de Jesus. Vivemos estimulados com o enfrentar das dificuldades, recebendo-as como normais para quem vive o mistério da Cruz de Cristo. Por isso, nunca abandonemos a oração de uma entrega contemplativa, plena de esperança.

 

Envolvimento na política, obrigação para um cristão

Pe. Armando

 

O Papa Francisco vincou com todo o a propósito que "envolver-se na política é uma obrigação para o cristão", respondendo a perguntas colocadas por algumas das nove mil crianças e jovens de escolas e movimentos com quem se encontrou no Vaticano.
Os cristãos não podem "fazer de Pilatos, lavar as mãos": "devemos implicar-nos na política, porque a política é uma das formas mais elevadas da caridade, visto que procura o bem comum". E acentuou que "os leigos cristãos devem trabalhar na política. Dir-me-ão: não é fácil. Mas também não o é tornar-se padre. A política é demasiado suja, mas é suja porque os cristãos não se implicaram com o espírito evangélico. É fácil atirar culpas... mas eu, que faço? Trabalhar para o bem comum é dever de cristão", apontou.
O Papa Francisco pediu aos participantes para se tornarem "homens e mulheres com os outros e para os outros, verdadeiros campeões no serviço aos outros".
"Num mundo que tem tanta riqueza e tantos recursos para dar de comer a todos, não se pode compreender como há tantas crianças esfomeadas, tantas crianças sem educação, tantos pobres. A pobreza, hoje, é um grito. Todos nós devemos pensar se nos podemos tornar um pouco mais pobres", assinalou Sua Santidade. Portanto, o Papa põe em grande destaque na vida do cristão católico que o envolvimento na política é uma atitude e uma obrigação sumamente nobre que terá como mérito e recompensa a benevolência divina sobre

cada agente cívico neste patamar de actuação e, necessariamente uma recompensa que ultrapassa os limites terrenos. Travamos neste mundo, quase sem nos dar conta uma grande batalha pela "legalidade democrática" contra a "legalidade revolucionária" que deve ser ganha, a primeira, graças à união e capacidade de luta de todos os quadrantes democráticos que se batem baseados nas regras da Constituição. No jogo ganha-se e perde-se. O importante é não fazer batota, não violar as regras sorrateiramente, fingindo que se cumprem. A manifestação de rua quer transmitir a quem mais barulho fizer mais razão terá, quem mais gritasse mais esclarecido estaria, quanto mais desordem se instalasse mais progresso se conquistaria. Daí, infelizmente, deixou-se instalar a ideia de que o barulho ridicularizava e vilipendiava o voto expresso nas urnas, a fazer valer a vontade de cada um dos cidadãos. Há uma Constituição aprovada que deve ser escrupulosa e religiosamente respeitada por todos.
É nesta base que o Papa Francisco apela no envolvimento na política como uma obrigação indeclinável para todo o cristão. É uma responsabilidade individual e exclusiva de cada um. Aí se situam os indicadores mais seguros para que, face à lei geral do Estado, ninguém se exclua de marcar presença e votar em função do bem comum que está em jogo. Lavar as mãos e "deixar passar" como os medíocres que não querem comprometer-se é um crime que destrói o bem do todo colectivo. Ouçamos o Papa.

 

 

 

 

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