domingo, 23 junho 2013 11:30

Seguir Jesus

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Podíamos dizer que até este momento os discípulos foram observando, foram de surpresa em surpresa desde que conheceram aquele vizinho de Nazaré; e também acumularam dúvidas, incertezas...
Significativamente este texto do evangelho que hoje lemos em São Lucas vem depois da multiplicação dos pães, um dos momentos que mais atenção provocou e, ao mesmo tempo, que mais singularidade deu àquele surpreendente Jesus. É o momento de dar o primeiro passo na compreensão daquele homem que começou a ocupar o coração daqueles que começam a ser amigos.
E o fragmento situa Jesus a rezar, só. Já nos prepara para um momento que terá um significado especial e, ao mesmo tempo, situa este acontecimento dentro de uma história que Jesus não faz só. Os discípulos já se acostumaram a ver que aquele Jesus não é um homem só mas precisamente porque está acompanhado e bem acompanhado. Mais à frente ouvirão: Se me conhecêsseis conheceríeis também meu Pai.
É bem claro que aquele Jesus já anda de boca em boca: que é João Baptista, Elias, um antigo profeta que ressuscitou...Este é o momento em que aqueles amigos que o seguem para dar o primeiro passo e provar que não vieram só para ver mas a implicar-se, a segui-lO: e vós, quem dizeis que eu sou? E a resposta é: O Messias de Deus.
Aquele já começa a ser um grupo não somente de curiosos e a resposta surpreende todos e ao próprio Pedro. Porque esta não foi uma resposta dos livros mas do fundo do coração e não era só uma resposta mas uma profissão de fé. O que se foi forjando naquele grupo não era só um interesse , uma correspondência nem somente uma boa amizade mas uma adesão que os punha a todos na mesma história. Por isso proibiu-lhes que o dissessem a alguém porque havia ainda um longo caminho a percorrer para que aquela confissão fosse o seu norte. O Filho do homem tinha de padecer, ser rejeitado pelos anciãos...Isto cai como um balde água fria sobre aqueles homens. Ainda faltava muito caminho para entenderem o verdadeiro Messias.
Ser discípulo é fazer o mesmo caminho de Jesus: o que me quer seguir que se negue a si mesmo tome a sua cruz e siga-Me...
A surpresa, a não compreensão daqueles primeiros, é a nossa também porque a cada passo toca-nos viver histórias que nos fazem pensar: porquê a mim? De que me serve rezar ou comprometer-me?
E acontece que ainda não nos damos conta que ainda faltam muitos passos e, sobretudo, saber ler tudo o que vivemos como fazendo parte do seguimento de Jesus que leva à Ressurreição.

 

O Papa sempre a surpreender

In Agencia Ecclesia

O Papa sempre surpreendeu

Cem dias são passados desde que o Papa Francisco foi chamado à Cátedra de Pedro. E desde que foi eleito, em Março, o novo Papa começou a quebrar regras. Francisco "não se deixa rotular nem apropriar, é bastante carismático e próximo de todos, dos mais simples aos mais importantes e poderosos".
Francisco harmoniza características pouco comuns entre si: é um Papa humilde mas forte; popular mas exigente; fala dos pobres mas não é ideológico; apela à solidariedade e ecologia, mas fala do diabo; condena os cristãos engomados e apoia os que saem para as periferias; não gosta dos carreiristas nem dos que passam a vida a lamentar-se. Avisa que dizer mal dos outros é pecado e garante que sem a oração não vamos longe. Considera a piedade popular um verdadeiro tesouro e – desde que foi eleito –fala constantemente de amor, da ternura e da misericórdia, dos quais, aliás, a sua própria vida dá um testemunho eloquente.
Talvez seja este o aspecto mais avassalador do fenómeno Bergoglio nestes 100 dias: um Papa que veio dos confins do mundo, cujas palavras e gestos tocam profundamente o coração.
O autor da obra 'Francisco: O Papa de todos nós' (A Esfera dos Livros) admite que a eleição do antigo arcebispo de Buenos Aires, de 76 anos, foi uma "surpresa" e que muitas pessoas estavam "distraídas" em relação a uma figura que já tinha tido uma acção muito importante noutras ocasiões da vida da Igreja.

"Não é obrigatório que este clima, este momento esteja destinado a acabar. Esta onda de simpatia chega mesmo dos não crentes, dos que se reaproximaram da Igreja por causa da mensagem centrada na misericórdia. É possível que este clima continue", declara. Para Andrea Tornielli, o Papa Francisco tem-se mantido "igual a si próprio", uma pessoa "simples e humilde" mesmo nas decisões mais mediatizadas, como a de residir na Casa de Santa Marta e não no palácio apostólico do Vaticano, por exemplo. "Não há nada que seja estudado para a opinião pública, de mediático, é simplesmente ele próprio: é pouco conhecido porque quando celebrava missa nas 'villas miséria' (bairros de lata) de Buenos Aires ia só, não tinha jornalistas consigo", refere.
O vaticanista elogia também o facto de o Papa passar muito tempo a cumprimentar os presentes na audiência pública semanal que tem decorrido na Praça de São Pedro: "Ele pensa mesmo que não tem nada melhor a fazer do que estar com as pessoas e elas percebem isso".
Estes gestos, acrescenta, não devem ser vistos apenas como "pormenores", mas simbolizam a vontade de um "pastor" em estar "à frente do rebanho, para o guiar", "no meio, como os outros" e "atrás do rebanho, para o proteger".
"Para ele, o pastor está ao serviço do povo e isto é já mudança que pede uma auto-reforma por parte de quem vê que este é o exemplo do Papa". O vaticanista acredita que Francisco é alguém "capaz de decidir" e que essa determinação se vai estender à reforma da Cúria Romana.
Em relação aos temas "eticamente sensíveis", o jornalista espera uma "abordagem diferente, mais positiva, mais propositiva", sem mudar a doutrina. Francisco quer uma Igreja que procure "facilitar a fé das pessoas, mais do que regulá-la".