sexta, 30 junho 2017 17:31

Ordenação diaconal

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No próximo dia 9 de Julho, às 15:30, na Cripta do Sameiro será ordenado diácono permanente o nosso amigo José António Magalhães da Silva. Depois de alguns anos de preparação na Faculdade de Teologia de Braga, de encontros com os responsáveis diocesanos está a chegar ao dia da sua ordenação. É para nós, Unidade Pastoral de São Sebastião e São Paio, motivo de grande alegria. Por esse motivo vamos estar presentes no Sameiro para , desde a primeira hora, acompanhar o "Zé" nesta missão de serviço à Igreja que ele escolheu.

Depois de uma caminhada cristã, pertencendo aos Convívios Fraternos, sendo catequista, fazendo parte dos orgãos sociais do Patronato de São Sebastião contraiu matrimónio com a Rosário Ferreira e têm dois filhos: o Diogo e a Mariana. Vive em Creixomil mas a sua vida em comunidade foi sempre aqui em São Sebastião, onde nasceu.Damos-lhe os parabéns e invocamos a benção de Deus para o seu ministério.

Ele pode baptizar, abençoar matrimónios, levar o viático aos doentes, presidir funerais, mas não é um padre. Qual é a diferença, então?

O ministério eclesiástico, que é o ministério dos homens dedicados ao serviço de Deus, compreende três diferentes graus do sacramento da ordem sacerdotal: os bispos, os sacerdotes e os diáconos. Dois destes graus participam ministerialmente do sacerdócio de Cristo: a ordem episcopal, correspondente aos bispos, e a ordem do presbiterado, correspondente aos padres.
 
A ordem do diaconado, segundo o Catecismo da Igreja Católica (n. 1554), destina-se a ajudar e a servir os bispos e presbíteros. Por isso, o termo "sacerdote" designa os bispos e presbíteros, mas não os diáconos.
 
No entanto, a doutrina católica estabelece que o grau de diaconado é um grau de serviço, estabelecido desde a época dos apóstolos, como testemunham os Actos dos Apóstolos e a Carta de São Paulo a Timóteo:
 
"Naqueles dias, como crescesse o número dos discípulos, houve queixas dos gregos contra os hebreus, porque as suas viúvas teriam sido negligenciadas na distribuição diária. Por isso, os Doze convocaram uma reunião dos discípulos e disseram: Não é razoável que abandonemos a palavra de Deus, para administrar. Portanto, irmãos, escolhei dentre vós sete homens de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria, aos quais encarregaremos este ofício. Nós atenderemos sem cessar à oração e ao ministério da palavra. Este parecer agradou a toda a reunião. Escolheram Estêvão, homem cheio de fé e do Espírito Santo; Filipe, Prócoro, Nicanor, Timão, Pármenas e Nicolau, prosélito de Antioquia. Apresentaram-nos aos apóstolos, e estes, orando, impuseram-lhes as mãos." (Actos 6, 1-6)
 
"Do mesmo modo, os diáconos sejam honestos, não de duas atitudes nem propensos ao excesso da bebida e ao espírito de lucro; que guardem o mistério da fé numa consciência pura. Antes de poderem exercer o seu ministério, sejam provados para que se tenha certeza de que são irrepreensíveis." (I Timóteo 3, 8-10)
 
Diakonia é a palavra grega que define a função dos diáconos. Esta palavra significa serviço, e é de tanta importância para a Igreja, que se confere por um acto sacramental chamado "ordenação", ou seja, pelo sacramento da Ordem.
 
Santo Inácio de Antioquia comentou a importância dos diáconos: "Que todos reverenciem os diáconos como Jesus Cristo, como também o bispo, que é imagem do Pai, e os presbíteros, como o senado de Deus e como a assembleia dos apóstolos: sem eles, não se pode falar de Igreja" (Trall. 3, 1).
 
Mas qual é o serviço que os diáconos prestam à Igreja?
 
"Os diáconos participam de modo especial na missão e na graça de Cristo. O sacramento da Ordem marca-os com um selo ('caráter') que ninguém pode fazer desaparecer e que os configura com Cristo, que se fez 'diácono', isto é, o servo de todos. Entre outros serviços, pertence aos diáconos assistir o bispo e os sacerdotes na celebração dos divinos mistérios, sobretudo da Eucaristia, distribuí-la, assistir ao Matrimônio e abençoá-lo, proclamar o Evangelho e pregar, presidir aos funerais e consagrar-se aos diversos serviços da caridade." (Catecismo da Igreja Católica, 1570)
 
Entendido desta maneira, o diaconado não é somente um passo intermediário rumo ao sacerdócio, mas oferece à Igreja a possibilidade de contar com uma pessoa de grande ajuda para as tarefas pastorais e ministeriais.
 
Um diácono pode baptizar, abençoar matrimónios, assistir os enfermos com o viático, celebrar a Liturgia da Palavra, pregar, evangelizar e catequizar.
 
Porém, não pode, ao contrário do sacerdote, celebrar o sacramento da Eucaristia (Missa), confessar nem administrar a unção dos enfermos.
 
Com tudo o que ele pode fazer, sua ajuda é importantíssima, especialmente na época actual, na qual faltam tantas pessoas para ajudar os padres em suas tarefas.
 
Como no caso dos sacerdotes, somente homens baptizados recebem validamente a sagrada ordenação para ser diáconos. E isso é assim porque Jesus escolheu homens para formar o colégio dos 12 apóstolos.
 
No entanto, há uma diferença muito importante entre diáconos e sacerdotes.
 
Enquanto os sacerdotes ordenados da Igreja latina são geralmente escolhidos entre homens crentes que vivem como celibatários, ou seja, que não se casam e que têm o propósito de guardar o celibato pelo Reino dos Céus, os diáconos podem casar-se.
 
Este diaconado permanente é um enriquecimento importante para a missão da Igreja.
 
Desde o Concílio Vaticano II, a Igreja latina restabeleceu o diaconado como um grau particular dentro da hierarquia, enquanto as Igrejas do Oriente sempre o mantiveram assim.
 
Dessa forma, os homens casados que se dedicam a ajudar a Igreja por meio da vida litúrgica, pastoral ou nas obras sociais e caritativas podem se fortalecer recebendo a ordem do diaconado, unindo-se mais intimamente ao altar, para cumprir seu ministério com maior eficácia, por meio da graça sacramental do diaconado.
 
Assim, a Igreja Católica, como na parábola do homem que tira algo novo e velho do seu tesouro, está sempre oferecendo formas novas de entrega em sua tarefa de ajudar a humanidade inteira.